O julgamento de Matheus Omena Soares, 24 anos, acusado de envenenar e matar o próprio filho, Anthony Levy, de 4 anos, começou nesta quinta-feira (18), após ter sido adiado em julho. O réu está preso preventivamente desde maio do ano passado e responderá em júri popular pelo crime. O Ministério Público e a família da vítima pedem pela pena máxima do réu.
De acordo com a investigação da Polícia Civil (PC), Matheus confessou ter colocado veneno de rato no mingau da criança. O ato, segundo a acusação, teria sido motivado pelo desejo de se vingar de Ingrid Silva, mãe do menino. O casal havia se separado seis meses antes, após um relacionamento de cinco anos.
Pedido por justiça e pena máxima
Durante a sessão, o Ministério Público destacou a gravidade do crime. O promotor Flávio Gomes classificou o ato como de “requintes de crueldade e perversidade”.
“Matar com chumbinho já é horrível, porque a morte do rato é agonizante. Imagine de uma criança de 4 anos, que teve tontura, espasmos, vômito, hemorragia, parada cardíaca e morreu sem ar. Tudo isso se torna ainda mais chocante pelo fato de ter sido cometido pelo próprio pai, que deveria zelar e proteger. Vamos pedir a pena máxima por conta de todo o contexto probatório”, afirmou.
O defensor público Eraldo Silveira Filho destacou que a acusação foi “bem formulada” e que a defesa buscará garantir que o julgamento ocorra de maneira digna, com respeito ao rito do tribunal do júri.
A família da criança acompanha o julgamento com expectativa de justiça. Em frente ao fórum, a avó do menino, Flávia Maria, resumiu o sentimento de revolta e dor.
“Que a justiça seja feita, porque não tem justificativa para o que ele fez com o meu neto. Esperamos pena máxima.”
O juiz José Eduardo, que preside a sessão, informou que serão ouvidas quatro testemunhas antes da decisão final dos jurados, que deve ocorrer até o final da tarde de hoje.