247 – A cúpula do União Brasil definiu sua saída do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e comunicou que devolverá dois dos ministérios ocupados pela legenda. A decisão,segundo a coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, deve ser formalizada até setembro e marca o rompimento definitivo da sigla com o Palácio do Planalto.
A exceção é Waldez Góes, ministro da Integração Nacional. Filiado ao PDT, ele se mantém no cargo graças ao apadrinhamento do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). A influência de Alcolumbre é tamanha dentro da legenda que nem o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, interfere em seus espaços no governo.
A debandada do partido acentua as dificuldades da base aliada na Câmara. O União Brasil conta com 59 deputados federais, sendo a terceira maior bancada da Casa — atrás apenas do PL (99) e do PT (67). Sem o apoio do partido, Lula enfrentará obstáculos ainda maiores para aprovar propostas importantes, especialmente aquelas voltadas à viabilização de sua tentativa de reeleição em 2026.
Ainda de acordo com a reportagem, a decisão de sair do governo está ligada à certeza de que a legenda não apoiará Lula no próximo pleito presidencial. Essa postura, no entanto, já estava desenhada desde abril, quando o União Brasil selou uma federação com o Progressistas (PP), partido que faz oposição sistemática ao governo. A federação exige que ambos apoiem o mesmo candidato à Presidência.
O estopim para a saída antecipada foi a repercussão de uma fala de Antonio Rueda durante evento da XP Investimentos em São Paulo. O presidente do União Brasil criticou duramente o governo federal, dizendo que à gestão Lula falta “coragem” e “seriedade”. Rueda também defendeu publicamente a substituição do petista em 2026.
Na mesma ocasião, Rueda responsabilizou Lula pelas tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrariando a narrativa do governo, que atribui o aumento de tarifas às ingerências de Jair Bolsonaro e aliados junto ao governo estadunidense. “O que a gente imagina é que esse campo, da centro-direita, vai se unificar em torno de uma candidatura. Hoje você já ouve falar muito do Tarcísio, do Ratinho, do Zema e do próprio Caiado, que é o nosso pré-candidato. E eu enxergo que esse movimento vai ser mais eficaz”, afirmou.
A repercussão negativa no Planalto foi imediata. Cinco dias após as declarações, o presidente Lula convocou os três ministros ligados ao União para uma reunião fora da agenda e condicionou a permanência dos ministros ao apoio efetivo do partido no Congresso Nacional.
A resposta de Rueda veio por meio das redes sociais. Na sexta-feira (2), ele publicou uma mensagem em tom de enfrentamento: “o compromisso do União não é com cargos ou conveniências, é com princípios. Seguiremos apoiando o que for certo e denunciando os erros, sem medo de desagradar. Independência não se negocia.”
“O União nunca vai se furtar à crítica, à autonomia ou à responsabilidade com o que realmente importa: o país. Quando decisões se afastam do interesse público, como tem frequentemente ocorrido no governo, o silêncio não é uma opção”, concluiu.