Porte ilegal de arma de fogo, dano, discriminação religiosa e consumo de drogas. Tudo isso está na ficha policial de Albino Santos de Lima, de 42 anos, preso nesta terça-feira (17), em Maceió, suspeito de assassinar a adolescente Ana Beatriz, de 13 anos, no mês passado.
Albino Lima já atuou como agente penitenciário em Alagoas, quando o estado ainda tinha pessoas na função sem concurso público. Depois disso, ele continuou prestando serviços à Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (SERIS) como guarda patrimonial, mas está de licença-médica.
A primeira anotação criminal de Albino é de 2021. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Alagoas (MP-AL) por ter sido preso no dia 15 de maio daquele ano, nas imediações da Rua Silvio Sandes Torres Júnior, no Barro Duro, portando arma de fogo.
Em agosto de 2021, mais dois crimes. Investigado pela Polícia Civil por consumo de drogas, o caso rendeu um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Já o outro lhe rendeu uma condenação.
Portando uma faca, Albino furou pneus de veículos de integrantes de um terreiro de umbanda, no bairro Vergel do Lago, em Maceió. Ele foi condenado a um ano e seis meses de reclusão, em regime inicial aberto. A pena, no entanto, foi convertida em prestação de serviços comunitários, na proporção de uma hora de serviço por dia de condenação.
“A partir do exame dos elementos contidos nos autos, restou claro que o dano praticado em face dos carros estacionados decorreu em razão de explícita discriminação direcionada a pessoas que professavam a umbanda, o que denota a plena materialidade delitiva”, afirmou o juiz Ygor Figueirêdo.
Imagens de câmeras de segurança mostraram o réu simulando estar mexendo no celular e depois furando os pneus dos carros estacionados próximos ao local do culto. Em depoimento, o homem admitiu a conduta, mas negou viés religioso. Ele alegou não ter nada contra a religião praticada no terreiro e disse que sua atitude decorreu do barulho no local.
Testemunhas, no entanto, apontaram motivação religiosa na prática. O líder do terreiro falou que diversos carros estavam estacionados na rua, mas que o Albino teria mirado apenas naqueles pertencentes às pessoas que estavam no ritual da umbanda, além de contar que o réu chegou a fazer ligações à polícia, pedindo para que os encontros parassem.
De acordo com o juiz Ygor Figueirêdo, não houve comprovação da tese levantada pela defesa, de que o réu teria agido por conta do barulho no local. “Não houve qualquer reclamação anterior acerca do suposto barulho provocado. Ademais, a própria localização da residência [do acusado] conta com inúmeras fontes de barulho, como uma praça, um ‘churrasquinho’ e outra sede pertencente a religião de origem cristã, não sendo esta alvo dos mesmos ataques”.
*Informação GazetaWeb