“Eu não consigo dormir desde quinta-feira. Eu sou mulher, sou vulnerável, não sei do que ele é capaz. Estou expondo porque eu quero que aquela creche feche. Essa é a minha vontade. Isso não pode acontecer com mais ninguém. Mas eu tô com muito medo. É praticamente do lado da minha casa, ele sabe toda a minha rotina, sabe a hora que eu saio, a hora que eu chego, ele acompanhava a minha rotina. Eu só quero a justiça. Quero que a creche seja fechada. Recebei muitos relatos de pessoas que não querem se expor, mas tô aqui com prints, com vários outros relatos”, conta.
“Durante esse tempo que ele vai ser investigado, como eu fico? Como as outras crianças ficam com aquela creche funcionando? O que ele vai fazer com elas? O que ele vai fazer comigo? E as imagens que ele baixou, o que ele está fazendo com elas? Ele se considera fotógrafo. Será que ele não vende esse tipo de imagem? Tudo passa pela minha cabeça”, continua Laiane.
“Eu tô em choque, tô abismada, com medo e sem dormir desde o ocorrido. Eu só quero justiça, só isso. Quero que me ajudem para que isso acabe. Fui até a creche, conversei com a esposa dele. Não sei se ela é totalmente alienada ou conivente com a situação, mas ela olhou pra mim e disse que tudo era um mal entendido. Me pediu pra entrar dentro da casa deles, com ele lá dentro. Eu estou com raiva, repúdio, em choque. Eu nem acredito que isso aconteceu comigo. A gente só sabe quando passa, quando acontece”, finaliza Laiane.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil de Alagoas informou que o caso está sob investigação. O relato da vítima e de outras testemunhas foram colhidos pela polícia.
Confira nota da Polícia Civil de Alagoas na íntegra
A Polícia Civil de Alagoas informa que tomou conhecimento das publicações feitas em rede social por uma mulher vítima do crime de PRODUZIR, FOTOGRAFAR, FILMAR POR QUALQUER MEIO, CENA DE NUDEZ OU ATO SEXUAL DE CARÁTER ÍNTIMO E PRIVADO SEM AUTORIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES (ART. 216-B DO CPB), caso que se encontra sob investigação na Delegacia Especial dos Crimes Contra Crianças e Adolescentes da Capital, e informa que o inquérito policial para apurar o caso foi instaurado no mesmo dia em que a denúncia foi feita.
O fato chegou ao conhecimento da autoridade policial plantonista no último dia 23/11/2023, por volta das 23h, na Central de Flagrantes, que tão logo colheu a notícia do fato e fez o registro do Boletim de Ocorrência.
No dia seguinte, 24/11/2023, a Delegacia Especial dos Crimes Contra Crianças e Adolescentes da Capital recebeu o registro, abriu inquérito policial, coletou o depoimento da vítima e de outras testemunhas; recolheu o material audiovisual apresentado e deu o imediato andamento ao procedimento policial.
A Lei estabelece o prazo de 30 (trinta) dias para a conclusão do inquérito policial, nos casos em que não houver prisão em flagrante do autor do fato, entretanto a Delegada de Polícia titular da unidade, ante a gravidade dos fatos, adotará as providências necessárias perante o Judiciário, respeitados o direito ao contraditório e ampla defesa do(s) investigado(s), requerendo, na mesma ocasião, as medidas judiciais cabíveis para os casos desta natureza.