Justiça
‘Serial killer’ de Alagoas repete versão e diz que Arcanjo Miguel mandou matar Mikaele
Albino Santos de Lima, conhecido como o ‘serial killer’ de Alagoas, repetiu a versão de outros julgamentos e atribuiu ao Arcanjo Miguel a ordem para matar Mikaele Leite da Silva, crime ocorrido nas proximidades de uma padaria no Conjunto Joaquim Leão, no bairro Vergel do Lago, na parte baixa da capital. Ele está sendo julgado nesta quarta-feira (7), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
Durante o interrogatório, ao ser questionado se havia matado Mikaele, Albino respondeu que não. Em seguida, ao ser perguntado sobre quem seria o responsável pelo crime, atribuiu a autoria ao Arcanjo Miguel.
“Quem? Miguel. Arcanjo Miguel”, respondeu o réu, ao ser questionado pelo juiz Geraldo Amorim.
A alegação apresentada nesta quarta-feira segue uma narrativa que Albino vem repetindo em outros julgamentos. O réu também já atribuiu a uma suposta intervenção do Arcanjo Miguel a responsabilidade por crimes pelos quais é acusado, em vez de admitir a própria participação.
Questionado sobre onde teria encontrado o arcanjo e quando teria recebido a suposta ordem para cometer o crime, Albino afirmou não se recordar. Ele também disse não saber informar qual arma teria sido utilizada ou quantos disparos foram efetuados.
Durante o interrogatório, Albino ainda negou conhecer Mikaele e afirmou que não havia feito investidas contra ela.
Acusação pede condenação
A promotora de Justiça Adilza de Freitas, responsável pela acusação, afirmou durante o julgamento que o processo representa uma oportunidade de dar uma resposta à família da vítima.
“Não é mais um julgamento. É o julgamento de dar uma resposta para uma família que está enlutada, que carrega uma dor”, afirmou a promotora.
Segundo o Ministério Público, Mikaele teria sido assassinada depois de se recusar a atender às investidas de Albino para reatar um relacionamento. A acusação sustenta que ele teria surpreendido a vítima pelas costas, dificultando qualquer possibilidade de defesa.
Adilza também contestou a alegação de inimputabilidade apresentada pela defesa. Segundo a promotora, foi instaurado incidente de insanidade mental para avaliar as condições do réu e, conforme a acusação, o exame concluiu que Albino tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos e de se determinar de acordo com esse entendimento.
A promotora enfatizou ainda que Albino teria agido de forma planejada em crimes atribuídos a ele. Durante as investigações, segundo o MP, foram encontradas pastas com informações sobre vítimas e datas relacionadas às execuções.
“Ele sente prazer em matar. No caso da Mikaele, ele não foi diferente. E a gente espera a condenação por ele, por esse bárbaro crime”, declarou Adilza.

O julgamento
Albino Santos de Lima foi preso em 2024 e já acumula oito condenações por homicídios, com penas que ultrapassam 200 anos de prisão.
A condenação mais recente ocorreu em 15 de maio de 2026, quando ele recebeu pena de 29 anos e um dia pela morte de José Ilso Siqueira Filho, de 24 anos.
Naquele processo, a acusação sustentou que o homicídio teria sido cometido porque Albino desenvolveu interesse pela companheira da vítima.
Apesar de ter negado a autoria dos crimes em julgamentos anteriores, Albino admitiu os assassinatos atribuídos a ele em agosto de 2026, durante uma reportagem de alcance nacional.



