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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ontem que a equipe econômica do governo vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos, e que deve focar, nas próximas semanas, na revisão de despesas.

Haddad deu as declarações depois de o mercado financeiro ter reagido negativamente a falas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou na quarta-feira (12) não pensar a economia do País de forma apartada de medidas voltadas ao desenvolvimento social.

“Eu tenho dito isso, queremos também rever o gasto primário, estamos dispostos a cortar privilégios. Já voltaram à tona vários temas que estão sendo discutidos de novo, o que é bom, como supersalários, como correção de benefícios que estão sendo praticados ao arrepio da lei, melhoria dos cadastros, isso voltou para mesa, e nós achamos que é ótimo isso acontecer porque vai facilitando o trabalho de entregar as contas”, declarou Haddad.

“Nós estamos colocando bastante força nisso, fazendo uma revisão ampla, geral e irrestrita do que pode ser feito para acomodar as várias pretensões legítimas do Congresso e do Executivo, mas sobretudo para garantir que nós tenhamos tranquilidade no ano que vem”, disse ele a jornalistas.

Questionado se a agenda de revisão de gastos vai ganhar protagonismo, Haddad respondeu: “Ela [a agenda] está ganhando, ao longo do tempo, tração cada vez maior”, completou.

Após a declaração de Lula desta quarta, o dólar subiu, avançou 0,86%. Nesta quinta, depois que Haddad falou em revisão de gastos, a moeda interrompeu uma sequência de alta e fechou em queda de 0,73%, cotado a R$ 5,367.

Segundo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, a revisão dos gastos do governo faz do planejamento para o ano de 2025, cujo projeto de lei orçamentária deve ser enviado em agosto.

“Quando nós estamos falando de gastos tributários, de revisão desses gastos –seja pela ótica da qualidade dos gastos públicos, seja pela ótica do corte de gastos públicos–, nós estamos trabalhando por um futuro que está chegando, que é o ano de 2025”, afirmou

AUMENTO DE RECEITAS

Fernando Haddad afirmou que as medidas para reduzir gastos podem ser “administrativas”, sem a necessidade de enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional. “Se depender de lei, evidentemente para impactar 2025, tem que ser aprovado este ano”, completou.

Para Tebet, há um cardápio de opções para equilibrar as contas públicas pelo lado das despesas. No entanto, a ministra reconheceu que há poucas opções para aumento de receita. “É óbvio que começa a se exaurir sobre a ótica da receita”, declarou.

“Em que pese isso, nós temos um dever de casa agora sobre o lado das despesas. Se os planos A, B, C e D já estão se exaurindo para não aumentar a carga tributária pela receita, sob a ótica das despesas nós temos plano A, B, C, D e E”, formulados pela área econômica do governo, disse.Haddad. Ele e Simone se reuniram na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, pela manhã.

 

*G1

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